Auto conhecimento, é ser mestre de si mesmo e consequentemente, um ser humano melhor. Ter percepção dos bloqueios e limitações e superá-los com o poder da consciência de si próprio e da mente. Tem um ditado que gosto muito que diz:

“Se você não tiver inimigos internos, nem um inimigo externo pode vencê-lo”.


Ditado africano

O autoconhecimento ou conhecimento de si, é a investigação de si mesmo. Ele envolve o uso da autoconsciência e o desenvolvimento da autoimagem. Também pode ser um projeto ético, quando o que se busca é a realização de algo que leve o sujeito a ser mestre de si mesmo e, consequentemente, um ser humano melhor. O autoconhecimento pode ser obtido de forma natural através da experiência de vida e do hábito de se auto-indagar.

Autoconhecimento como objeto de investigação

O conhecimento de si, distingue-se do conhecimento de outras coisas (as coisas exteriores ao sujeito) por ser imediato, no sentido de não depender de evidências. Pode-se dizer que o autoconhecimento é fruto da introspecção. O sujeito tem acesso privilegiado aos próprios pensamentos, isto é, conhece os próprios pensamentos de uma maneira que os outros usualmente não conhecem. Tal acesso privilegiado é a marca da autoridade da primeira pessoa, pois usualmente o que o sujeito diz sinceramente que pensa deve ser considerado como o que ele pensa, enquanto o que outra pessoa diz que o sujeito pensa, usualmente não é um relato que desfrute da mesma autoridade.

O auto conhecimento, é um processo de investigação e tomada de consciência de si mesmo, ele começa através de questionamentos que iram trazer respostas sobre como você se vê. Muitas vezes, a maneira como eu vejo o outro é uma projeção da minha auto percepção, e isso só vem atona quando questiono a mim mesmo.

Como funciona o processo de autoconhecimento?

O processo de auto conhecimento, faz parte do desenvolvimento pessoal, ele é bastante simples, isso não quer dizer que seja fácil. A maneira mais simples e efetiva de conseguir compreender a si mesmo é fazendo aquilo que fazemos quando queremos conhecer outra pessoa, perguntando. Isto é, o autoquestionamento (“por quê eu estou sentido isso” ou “por que estou agindo dessa maneira”) nos dá clareza de quem somos.

Mas antes de começar, é preciso entendermos como o ser humano funciona geralmente. Isto é, o ser humano é formado de diversas facetas. Ninguém é apenas uma coisa. Somos nosso corpo, nossa mente e nossas emoções… Ou seja, o que devemos conhecer? Como conhecer cada uma dessas facetas? De acordo com filósofos como Platão, Spinoza e Freud fazem parte de uma tradição que vê o autoconhecimento como uma conquista ou realização que traz saúde e liberdade. Esse projeto ético tem suas raízes no dito do oráculo de Delfos que tanto influenciou Sócrates:

Homem conhece a ti mesmo.


Oráculo de Delfos

De acordo com essa tradição, o autoconhecimento é uma realização e não algo dado ou prontamente disponível ao sujeito. Para conhecer-se a si mesmo, o sujeito precisa refletir e interpretar a si mesmo.

Há subdivisões dentro dessa tradição. Primeiro, há os filósofos da antiguidade que viam o autoconhecimento como algo bom por si ou por fins práticos. Segundo, autores confessionais, como Agostinho e Rousseau. Terceiro, os que veem o autoconhecimento como algo moralmente valioso, mas difícil de ser alcançado devido à natureza inefável do sujeito. Entre os defensores de tal posição, está Nietzsche, em alguns momentos. Quarto, os que veem o autoconhecimento como uma autocrítica. Tal posição é encontrada no Eclesiastes, em Spinoza, em Nietzsche, Heidegger e Sartre.

Porque existe muito pouco auto conhecimento?

O processo de consciência de si mesmo é um processo introspectivo, e que requer coragem. Requer que saiamos da nossa zona de conforto, nos libertemos de todos os auto julgamentos. Uma vez Hélio Couto disse em uma de suas palestras que uma das coisas que distanciam o ser humano do amor incondicional é a zona de conforto, e o mesmo acontece com o auto conhecimento, fazer isso nem sempre é fácil. Então não é à-toa que apenas 15% das pessoas realmente se conhecem a si mesmas. Vejamos alguns motivos que realmente dificultam essa autodescoberta, são:

Falta de consideração. Não considerar que sua autoimagem é prejudicada por traumas, medos e até mesmo o meio social, cultural e a época que estamos vivendo;


Não questionar. Deixar de questionar os comportamentos, pensamentos e sentimentos. As pessoas não fazem a mínima ideia dos porquês, então simplesmente aceitam que são como são e vivem assim, mesmo sendo prejudicadas diariamente por isso com comportamentos, pensamentos e sentimentos ruins;


Não refletir. Algumas pessoas até se questionam e tentam entender o porquê fazem o que fazem. Mas, é algo passageiro e não gera resultado nenhum. A autorreflexão é fundamental para compreender o que encontramos pelo caminho da autodescoberta. Orgulho, medos e, principalmente, o autojulgamento são inimigos do autoconhecimento.

Sentimentos como esses nos impedem de refletir mais profundamente sobre uma atitude nossa. Dessa forma, viramos reféns de pensamentos, sentimentos e atitudes que só nos prejudicam. E qual o problema disso? O problema é pensar que nos conhecemos, quando, no fundo, não nos conhecemos.

Se você não liberta sua mente para uma visão mais pura, mais clara e objetiva de si mesmo, será impossível transformar atitudes, mudar ideias, melhorar nos relacionamentos. Entender o porquê é o primeiro passo para entender como mudar, e assim, assumir o controle. Como diz o ditado, a melhor época de plantar uma árvore foi ontem, a segunda melhor é hoje. Convido você a refletir e plantar sua árvore hoje.


Referências:

Wikipédia, Autoconhecimento. Acessível em: https://pt.wikipedia.org/wiki/Autoconhecimento. Acesso em: 22/06/2021

ARBELO, Davi. Afinal De Contas Oque É O Desenvolvimento Pessoal. Acessível em: https://blog.daviarbelo.online/afinal-de-contas-oque-e-o-desenvolvimento-pessoal/. Acesso em: 22/06/2021

SBPNL. O Que é Autoconhecimento e Como Desenvolver o Seu. Acessível em: https://www.pnl.com.br/o-que-e-autoconhecimento/. Acesso em: 22/06/2021